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A revolução de 32 na alma paulista

Utilizando uma fala muito pertinente de Leandro Karnal, temos uma tradição de não chamar de “Guerra Civil” movimentos violentos que envolveram a história do Brasil. Falamos em revoltas, revoluções, insurgências e não lembramos do caráter do confronto como de mobilização civil e disputas bélicas entre habitantes de um mesmo país. Hoje, passados 87 do maior confronto armado em território brasileiro no século XX, as lembranças que se envolvem com 1932 são geralmente de caráter saudosista, civilista, patriótico, regionalista e, em certa medida, elitista, quando não utilizados como argumento para a soberania e independência de São Paulo. Acreditem: uma rápida pesquisa pelas redes sociais nos apresenta grupos de movimentos separatistas, muito bem engajados, dos mais radicais aos “constitucionais”, que pretendem, como os “bravos de 1932”, colocar São Paulo nos trilhos. Este tipo de movimento e a valorização de certos ideais (escolhidos) se confundem, muitas vezes, com o trabalho de pesquisa…
Postagens recentes

Há 127 anos, nascia Chatô, o magnata da comunicação no Brasil

Um dos homens mais influentes do Brasil nas décadas de 1940 e 50, Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo, conhecido como Assis Chateaubriand ou Chatô (da biografia de Fernando Morais), nasceu no dia 4 de outubro na cidade de Umbuzeiro, na Paraíba. Magnata da comunicação, Chatô foi dono dos Diários Associados – que chegou a ser formado por 34 jornais, 36 emissoras de rádio, 18 estações de televisão, agência de notícias, revistas e uma editora. Polêmico e controverso, tornou-se uma espécie de versão brasileira do Cidadão Kane. Também foi acusado de chantagear empresas que não anunciavam em seus veículos e de insultar empresários com mentiras. Chatô ainda era próximo de figuras poderosas, como o presidente Getúlio Vargas. Dono de um espírito empreendedor, fundou o Museu de Arte de São Paulo (Masp), em 1947. Mais tarde, foi eleito senador pela Paraíba (1952) e pelo Maranhão (1955). Renunciou ao mandato para assumir a embaixada do Brasil na Inglaterra. Em 1954 foi eleito para a …

Fordlândia, utopia americana na Amazônia.

Há 73 anos, terminava o plano de Henry Ford de abastecer suas fábricas com borracha produzida no Brasil. Local virou ruína. Era uma área extensa, de aproximadamente 15 mil quilômetros quadrados no sudoeste do Pará, na região de Santarém, a 800 quilômetros de Belém. Foi onde se construiu a Fordlândia, referência ao empresário norte-americano Henry Ford, que planejava estabelecer ali sua base de fornecimento de borracha. A aventura começou em 1927 e terminou em 1945, sem sucesso. A área hoje está em ruínas. No início deste ano, o Ministério Público Federal (MPF) solicitou rapidez ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico (Iphan) no processo de tombamento, mas ambos concordam que isso não será suficiente para recuperar e preservar o local. Na primeira década do século passado, Henry Ford causou sensação com seu modelo T, pioneiro na fabricação em série. O modelo de produção inovador para a época foi batizado de fordismo. Surgia a linha de montagem. Para os pneus dos automóveis, ele …

Sepé Tiarajú, um herói esquecido.

Sepé Tiaraju nasceu em data desconhecida na redução de São Luiz Gonzaga e foi batizado com o nome cristão de José. Depois de muitas lutas e sacrifícios, a prosperidade chegou às Missões e o desenvolvimento resplandeceu, graças a harmonia existente e o modelo social econômico implantado nas reduções. No apogeu do progresso das reduções jesuíticas, quando tudo transparecia felicidade, eis que, mais uma vez a crueldade do destino chega até os povos missioneiros, desta feita através da Escarlatina, também conhecida como " peste indígena ", que dizimou em torno de 30% da comunidade guarani, e foi em meio a esta epidemia que nasceu "Sepé", filho do cacique Tiaraju, vítima de morte da tão temida peste, e que, momentos antes de morrer, entrega seu filho com poucos dias de vida e já acometido pela doença, aos Padres Jesuítas implorando-os que o salvassem. Criado pelos Padres, aos poucos foi adquirindo o conhecimento e a cultura dos Jesuítas que se somaria ao espírito de liber…

Roquette-Pinto, o pai da radiodifusão no Brasil

Edgar Roquette-Pinto estudou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, colando grau em 1905. Logo depois de formado iniciou uma série de estudos sobre os sambaquis das costas do Rio Grande do Sul. Foi professor assistente de Antropologia no Museu Nacional (1906), professor de História Natural na Escola Normal do Distrito Federal (1916) e professor de Fisiologia na Universidade Nacional do Paraguai (1920). Em 1912 Roquette-Pinto fez parte da Missão Rondon e passou várias semanas em contato com os índios nambiquaras que até então não tinham contato com a civilização. Na volta, trouxe vasto material etnográfico e, como resultado dessa viagem, publicou em 1917 o livro "Rondônia - Antropologia Etnográfica", considerado um clássico da antropologia brasileira. Foi diretor do Museu Nacional em 1926, organizando ali a maior coleção de filmes científicos no Brasil. Roquette-Pinto foi membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, da Academia Brasileira de Ciências, da Sociedad…

A morte de D. Pedro I e o fim de uma era

D. Pedro I morreu nos braços da imperatriz Amélia às 14h30 de 24 de setembro de 1834, faltando duas semanas para completar 36 anos. A autópsia revelou um quadro devastador, pois a tuberculose tinha consumido todo o pulmão esquerdo que foi inundado por um líquido negro. Apenas uma pequena porção da parte superior ainda funcionava. O coração e o fígado estavam hipertrofiados; ou seja, bem maiores do que o normal. Os rins apresentavam cor esbranquiçadas e o baço amolecido começava a se dissolver. Os transtornos físicos agravaram-se na guerra contra o irmão e, durante o “Cerco do Porto”, ele começou a sentir cansaço, irregularidade na respiração, palpitações e sobressaltos ao acordar. Um edema nos pés indicava problemas circulatórios, embora D. Pedro julgava-se um homem robusto e resistente. Porém, a verdade era outra, pois ele se alimentava mal, repousava pouquíssimo e gastava energias em excesso. Epilético desde a infância, sofria de deficiência renal e vomitava com frequência. Aventureiro…

Corrupção na ditadura militar era maior que hoje.

Diante dos escândalos de corrupção vivenciados pela política brasileira nos últimos anos, parte da população clama por uma intervenção militar alegando que essa seria a solução definitiva para o problema. A verdade é que durante o período ditatorial houve, sim, corrupção. E muita. Mas havia também uma forte blindagem estatal, feita através da censura, que dificultava denúncias desse tipo contra os militares e seus aliados. Essa prática era considerada estratégia de segurança nacional, uma vez que mantinha a maior parte da população alheia aos acordos governamentais que envolviam troca de favores, distribuição de cargos entre amigos e parentes, desvio de verbas públicas, enriquecimento ilícito e pagamento de propinas. Apesar da repressão, episódios de corrupção foram divulgados durante o regime militar. Entre eles temos o caso do empréstimo de dinheiro público para salvar da falência a empresa Lutfalla, da família de Paulo Maluf, político ligado aos militares. Outro acontecimento emblem…