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A verdadeira causa da proclamação da república


Proclamação da República, pintura de Benedito Calixto, 1893.
Era madrugada do dia 15 de novembro de 1889, e em sua cama com uma febre ardente encontrava-se um marechal até então estimado pelos seus serviços ao Império do Brasil. Mas isso viria a mudar quando este homem por motivos particulares muda drasticamente a história e futuro do Brasil. Seu nome: Marechal Manuel Deodoro da Fonseca.                             O então Cel. Deodoro da Fonseca chega a um baile na corte e se encanta com uma bela e jovem moça de nome Adelaide Coutinho, filha de um dos mais renomados advogados do Rio de Janeiro naquela época. Esta moça era enamorada por Gaspar da Silveira Martins, um gaúcho que naquela ocasião já se despontava como um grande político, ferrenho adversário de Júlio de Castilhos(político do Partido Republicano Riograndense).
Acontece que Deodoro encantado por Adelaide pediu que esta lhe concedesse a honra de uma dança, mas a resposta foi um não, já que estava sendo cortejada por Gaspar e daí por diante com uma mágoa implacável o jovem coronel encheu-se de ódio daquele que viria a ser um dos maiores senadores do Império e governador da província do Rio Grande do Sul. A inimizade era recíproca e Gaspar se referia a Deodoro como um reles “sargentão”, o que deixava Deodoro ainda mais possesso e descontrolado de sua raiva.
O tempo se passou e Adelaide casou-se com Gaspar formando uma bela família que deu ao país grandes nomes para a política e a cultura.
Retornamos ao ano de 1889, precisamente na noite do dia 14 de novembro, e em uma quartelada liderada por ideais positivistas, Deodoro ajuda a derrubar tão somente o gabinete ministerial do Visconde de Ouro Preto e não todo o sistema monárquico, pois para o marechal que até então era amigo do “bom e velho Imperador” a monarquia só poderia ser derrubada após a morte deste. Deodoro após derrubar o gabinete ministerial e prender o Visconde no Campo de Santana volta para casa ardendo em febre e depois de algum tempo deitado chega Benjamin Constant e prega a maior e mais inconsequente mentira da história do Brasil.
A mentira de Benjamim é que Dom Pedro II havia nomeado o Conselheiro Gaspar da Silveira Martins para formar o novo gabinete ministerial. Deodoro tomado de ódio e cólera diabólica, levanta-se de seu leito, veste sua farda, empunha sua espada e proclama naquele dia 15 de novembro a república.

Benjamin Constant Botelho de Magalhães

Cons.   Gaspar da Silveira Martins

Mal. Deodoro da Fonseca


Referências Bibliográficas


Silva, Hélio; CARNEIRO, Maria Cecília Ribas (1983). Deodoro da Fonseca – primeiro presidente do Brasil. Os presidentes. Universidade do Texas: Editora Três. 175 páginas. Consultado em 23 de agosto de 2012.

Simonsen, Mário Henrique (1963). Legitimidade da Monarquia no Brasil. Rio de Janeiro: Globo


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