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Getúlio Vargas: Suicídio ou Assassinato?


No dia em que Vargas faleceu, o Ministro da Fazenda da época – Oswald Aranha – emocionado, leu para Rádio Nacional a carta de testamento que havia deixado na mesa de cabeceira de sua cama:

“Eu vos dei a minha vida. Agora ofereço a minha morte. Nada temo. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na história”.


O Cenário da Tragédia

O relógio indicava que faltavam 15 minutos para as 9 da manhã daquele 24 de agosto de 1954. Nunca o país assistira a tamanha comoção popular como a que veio logo após a divulgação da notícia: Getúlio Vargas se matara, em seu quarto, por volta de 8h30, com um tiro no peito.

As últimas horas de Getúlio Vargas
O relógio indicava que faltavam 15 minutos para as 9 da manhã daquele 24 de agosto de 1954. Nunca o país assistira a tamanha comoção popular como a que veio logo após a divulgação da notícia: Getúlio Vargas se matara, em seu quarto, por volta de 8h30, com um tiro no peito.

64 anos após a chocante tragédia, há uma revelação pouco difundida que leva a uma grande dúvida…

Jornal “O Radical” de 1954 – “Este home foi assassinado!”
Contrariando a história oficial, em 2007, Virgínia Lane, atriz, cantora e vedette, nascida em 28 de fevereiro de 1920 e conhecida como “A Vedete do Brasil”, faz uma revelação surpreendente sobre o que realmente teria levado à morte do ex-presidente Getúlio Vargas, modificando toda a história oficial ensinada em livros e escolas, que como foi dito, se suicidou com um tiro no peito.

Na versão de Virgínia, Vargas foi assassinado por 4 homens encapuzados e suspeitava que o mandante seria o então governador do Rio de Janeiro e dono do jornal “A Tribuna da Imprensa”, Carlos Lacerda.

“Getúlio Vargas foi assassinado. Eu estava na cama com ele. Entraram quatro mascarados e atiraram no presidente. Getúlio Vagas mandou o (segurança) Gregório me atirar pela janela (para me proteger). Fraturei costela e braços. Vou contar isto no meu livro de memórias, que está no prelo. Eu morro, dizendo a verdade…”, disse Virgínia Lane, 87 anos, em entrevista à rádio Globo, mas morreu no dia 10 de fevereiro deste ano com infecção urinária e acabou não lançando este polêmico livro.

Em meio a entrevista, Virgínia se emocionava ao pensar em Getúlio, mesmo 53 anos após sua morte. “Não são recordações apenas de uma fã” dizia, e segundo ela, ambos tiveram uma romance. “O presidente gaúcho era romântico, gostava de serenatas e costumava presentear-me com orquídeas brancas. Gostei imensamente dele e do meu segundo marido, Ganio Ganeff. Foram meus dois grandes amores. Com Getúlio pode não ter sido um amor eloquente. Mas foi um amor muito sensível. Getúlio era barrigudinho, baixinho, mas não tinha problema, pelo homem que ele era. Gostei dele desinteressadamente. A família Vargas sabia do romance, inclusive a mulher dele, dona Darci. Vou contar tudo em meu diário”,  porém, morreu muito antes de conseguir publicá-lo. No dia 10 de fevereiro deste ano com infecção urinária e acabou não lançando este polêmico livro.

Carta Testamento

"Mais uma vez, as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se novamente e se desencadeiam sobre mim.

Não me acusam, me insultam; não me combatem, caluniam e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes. 

Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. 

Tive que renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo. A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a Justiça da revisão do salário-mínimo se desencadearam os ódios. 

Quis criar a liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre. Não querem que o povo seja independente.

Assumi o Governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores do trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançavam até 500% ao ano. Nas declarações de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano. Veio a crise do café, valorizou-se o nosso principal produto. Tentamos defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia a ponto de sermos obrigados a ceder.

Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo, renunciando a mim mesmo, para defender o povo que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar a não ser meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida. 

Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no meu pensamento a força para a reação. 

Meu sacrifício nos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com o perdão. E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória. 

Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue terá o preço do seu resgate.

Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia, não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na história."


Fonte:

Jorge, Fernando (1 de janeiro de 1985). Getúlio Vargas e o seu tempo: 1900-1925. [S.l.]: T.A. Queiroz. ISBN 9788571820388

 VARGAS, Getúlio, Diário, Volume I, página 334, Siciliano/FGV, Rio de Janeiro, 1° Edição, 1995.
 Moraes, Josino (2004). Os 50 Anos do Suicídio de um Assassino (2004). Página de Josino Moraes. Consultado em 22 de setembro de 2017.

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