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“TERRA A VISTA, TERRA A VISTA” A chegada dos portugueses ao Brasil.


Desembarque de Pedro Álvares Cabral em Porto Seguro em 1500. Obra de 1922 de autoria de Oscar Pereira da Silva. (Museu do Ipiranga)

No dia 22 de abril de 1500, após avistar o Monte Pascoal, aportou no litoral sul do atual estado da Bahia, a maior esquadra reunida pela coroa portuguesa até sob o comando de Pedro Álvares Cabral, composta por 13 navios e cerca de 1.200 homens. Era o início do Brasil como conhecemos hoje.
Há mais de 500 anos, Portugal e Espanha exploravam o Oceano em busca de novas terras. A navegação era forte naquele período e muitos produtos eram transportados e vendidos pelos mares. Neste contexto o rei D. Manuel I, em parceria com comerciantes, organizou uma expedição de 13 embarcações com tripulação entre 1.200 e 1.500 homens.
O comando da expedição foi dado ao nobre e militar de 33 anos Pedro Álvares Cabral, que tinha como homem de confiança um dos mais experientes navegadores portugueses, Bartolomeu Dias, que contornou o Cabo da Boa Esperança em 1488. Ao meio-dia de 9 de março de 1500 a expedição partiu do Porto de Lisboa com a benção da Igreja e na presença de toda a corte.
A expedição chegou, primeiramente, às Ilhas Canárias, depois foi para o Arquipélago de Cabo Verde, onde uma caravela sumiu no meio do mar. Seguiram uma rota sudoeste, cruzando a linha do Equador, assim como fizera Vasco da Gama anteriormente. Então, no dia 22 de abril, a expedição ancorou em um monte, ao qual deram o nome de Pascoal. Pedro Álvares Cabral, Bartolomeu Dias e cerca de 1.200 homens havia chegado ao Brasil.
No dia seguinte houve o contato inicial com os indígenas. Nicolau Coelho foi o primeiro europeu a pisar em solo brasileiro. Ele trocou presentes com os indígenas nativos, enquanto Cabral e os demais capitães permaneciam nos navios. Estima-se que cinco milhões de indígenas habitavam o Brasil.
Cabral então ordenou que a frota rumasse ao norte, onde, após 65 km de viagem, ancorou em 24 de abril em Porto Seguro. Afonso Lopes, foi o segundo europeu a pisar em solo brasileiro e levou dois indígenas tupiniquins, cujo o nome desconhecemos, até o navio de Cabral para conversarem com ele.
O encontro foi amistoso e Cabral ofereceu presentes aos nativos. Num domingo de Páscoa, em 26 de abril conforme cada vez mais nativos curiosos apareciam, Cabral ordenou aos seus homens que construíssem um altar em terra, onde a primeira missa do Brasil foi celebrada pelo bispo Henrique de Coimbra.
Também foi construída uma cruz de madeira de sete metros. Cabral batizou a terra como Ilha de Vera Cruz, após constatar que o território estava a leste da linha de demarcação do Tratado de Tordesilhas, e legalmente pertencia a Portugal. No dia 27 um navio retornou a Lisboa para informar o rei da descoberta.
Levava consigo aquele que é considerado o primeiro documento escrito do Brasil, a Carta de Pero Vaz de Caminha, de com ela o encontro entre europeus e nativos foi marcado pelo pacifismo, mas ao mesmo tempo pela estranheza, em função da grande diferença cultural entre os dois povos.
As expedições mais importantes enviadas ao Brasil após a chegada de Cabral e sua esquadra aconteceriam até 1530, quando a ocupação efetiva do território brasileiro por parte da coroa portuguesa se iniciaria. Em 1501, houve uma expedição dirigida por Gaspar de Lemos, que explorou parte do litoral brasileiro, batizando ilhas, baías e cabos.
Em 1503, Gonçalo Coelho e sua frota realizaram uma nova expedição em decorrência de um tratado entre o rei de Portugal e um grupo de comerciantes interessados na exploração de Pau-Brasil, dentre eles estava Fernão de Noronha. Entre os anos de 1516 e 1520, expedições foram comandadas por Cristóvão Jacques.
Elas tinham o objetivo de deter o contrabando de Pau-Brasil feito a mando de outras nações europeias, especialmente França e Inglaterra, interessadas nas riquezas naturais do país. Estas expedições foram chamadas de guarda-costas, mas não obtiveram sucesso, devido à grande extensão do litoral brasileiro.
Em 1501, D. Manuel anunciou a Descoberta aos Reis Católicos da Espanha, seus sogros e rivais políticos, e a Europa também. Mesmo quinhentos anos, é grande o debate entre historiadores, se Pedro Alvares Cabral ou a coroa portuguesa sabiam da existência de terras por estas bandas, ou a chegada do navegador ao Brasil aconteceu de forma inesperada.
Referências Bibliográficas:
NARLOCH, Leandro. Guia politicamente incorreto da história do Brasil. 2° Edição, São Paulo: Leya. 2012.
SCHWARCZ, Lilia. STARLING, Heloisa. Brasil: Uma biografia. 1° Edição, São Paulo: Companhia das Letras, 2015.

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