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Roquette-Pinto, o pai da radiodifusão no Brasil



Edgar Roquette-Pinto estudou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, colando grau em 1905. Logo depois de formado iniciou uma série de estudos sobre os sambaquis das costas do Rio Grande do Sul. Foi professor assistente de Antropologia no Museu Nacional (1906), professor de História Natural na Escola Normal do Distrito Federal (1916) e professor de Fisiologia na Universidade Nacional do Paraguai (1920).
Em 1912 Roquette-Pinto fez parte da Missão Rondon e passou várias semanas em contato com os índios nambiquaras que até então não tinham contato com a civilização. Na volta, trouxe vasto material etnográfico e, como resultado dessa viagem, publicou em 1917 o livro "Rondônia - Antropologia Etnográfica", considerado um clássico da antropologia brasileira.
Foi diretor do Museu Nacional em 1926, organizando ali a maior coleção de filmes científicos no Brasil. Roquette-Pinto foi membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, da Academia Brasileira de Ciências, da Sociedade de Geografia, da Academia Nacional de Medicina, da Associação Brasileira de Antropologia (da qual foi presidente de honra) e de inúmeras outras associações culturais, nacionais e estrangeiras. Foi um dos fundadores do Partido Socialista Brasileiro.
No ano que comemorou o I Centenário da Independência do Brasil, ocorreu no Rio de Janeiro, então a capital federal, uma grande feira internacional que recebeu visitas de empresários americanos trazendo a tecnologia de radiodifusão para demonstrar na feira, que nesta época era o assunto principal nos Estados Unidos. Para testar o novo meio de comunicação, os americanos instalaram uma antena no pico do morro do Corcovado (onde atualmente é o Cristo Redentor). A primeira transmissão radiofônica no Brasil foi um discurso do presidente Epitácio Pessoa, que foi captado em Niterói, Petrópolis, na serra fluminense e em São Paulo, onde foram instalados aparelhos receptores. A reação de Roquette-Pinto a essa tecnologia foi: "Eis uma máquina importante para educar nosso povo".
Depois da primeira transmissão no Brasil, em 1922, Roquette Pinto tentou convencer o Governo Federal a comprar os equipamentos apresentados na Feira Internacional. Para o bem da comunicação do Brasil, Roquette-Pinto não desistiu, e conseguiu convencer a Academia Brasileira de Ciências a comprar os equipamentos. Foi criada a primeira rádio do país, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, fundada em 1922, e dirigida por Roquette-Pinto - atual Rádio MEC. Em 1936, doou a rádio ao Ministério da Educação.
Em 1936, os aparelhos de rádio já podiam ser comprados em lojas do ramo. Nesse mesmo ano, a Sociedade Rádio do Rio de Janeiro foi doada ao Ministério da Educação e Cultura (MEC), que tinha como titular Gustavo Capanema, que comunicou a Roquette-Pinto que a rádio seria incoporada ao tão temido Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), órgão responsável pela censura durante a era de Getúlio Vargas.
Roquette-Pinto ficou indignado com a proposta de incorporação ao DIP e exigiu a autonomia da rádio, para preservar a função educativa que ela tinha. Roquette Pinto ganhou a disputa, e a rádio MEC mantém até o hoje o mesmo ideário. Consta que, ao se despedir do comando da emissora que fundara, sussurrou chorando ao ouvido da filha Beatriz: "Entrego esta rádio com a mesma emoção com que se casa uma filha".
Foi o terceiro ocupante da cadeira 17 na Academia Brasileira de Letras, tendo sido eleito em 20 de outubro de 1927, na sucessão de Osório Duque-Estrada, e foi recebido pelo acadêmico Aloísio de Castro em 3 de março de 1928. Recebeu os acadêmicos Afonso Taunay em 6 de maio de 1930 e Miguel Osório de Almeida em 23 de novembro de 1935.

Fonte:
Edgard Roquette-Pinto». Academia Brasileira de Letras. Brasil Escola. Consultado em 31 de outubro de 2012.

Trindade Lima, Nísia; Miranda de Sá, Dominichi (2005). Antropologia Brasiliana: ciência e educação na obra de Edgard Roquette-Pinto. Rio de Janeiro: Fiocruz.

Souza, Vanderlei Sebastião de. «Retratos da nação: os 'tipos antropológicos' do Brasil nos estudos de Edgard Roquette-Pinto, 1910-1920». Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas.

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